A minha primeira mota

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A minha primeira mota

Mensagem  Paulo Matias em Qua Jun 16, 2010 9:47 am

Descobri na net o teste á minha primeira mota.
Foi a minha primeira escola de enduro. Muitas saudades.
Quando a vendi, tive que andar uma tarde a ensinar o comprador a fazer cavalinhos.

http://www.motorizadas50.com/testes%20macal_trail_ii%20homogeneidade.htm

Paulo Matias

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Re: A minha primeira mota

Mensagem  Delgado em Qua Jun 16, 2010 11:38 am


LEGENDA: "Vista de trás nota-se o aspecto cuidado de todo o conjunto. Ainda de realçar o suporte de bagagens, amplo e eficiente."

Gosto especialmente do "aspecto cuidado"!!! eheh Cool

Belo topic Matias, acho q vai dar pano p mangas!!!

Delgado

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Idade : 38
Mota actual : GASGAS EC 250

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Re: A minha primeira mota

Mensagem  gommon em Qui Jun 17, 2010 8:38 pm

.. ja deu pano p mangas...


SABIA QUE:



FAMEL
A Famel foi uma das maiores empresas motorizadas em Portugal. O edifício encontra-se na Estrada
Nacional de Agueda, localizando-se nos arredores da Vila Mourisca do Vouga. Apesar do grande sucesso nas
décadas de 70 e 80, devido à forte concorrência internacional, rapidamente a crise se instalou na empresa.
Mas, além da forte concorrência, a quebra do acordo entre a Zündapp (empresa alemã de fabrico de
motores, que era o fornecedor da Famel) e a Famel, fez com que mais problemas se criassem. A Famel,
encontrando-se num país com num fraco desenvolvimento em tecnologia mecânica, não se pode aliar a
nenhuma empresa portuguesa que desenvolvesse motores, aí se justifica a aliança antiga entre a Famel e
Zündapp da Alemanha.
Nos anos seguintes a Famel começou lentamente a despedir empregados e a vender peças de motorizada
e moto. Em 2002 depois de meses dentro das portas dos tribunais, devido a dívidas da empresa pela esperança
de algum dia conseguir se levantar de novo, foi forçada a abrir falência deixando poucas centenas de desempregados.
Na Famel passou milhares de operários, onde trabalhavam quase 1000 empregados directamente na empresa.
Hoje em dia só resta o edifício embora um pouco degradado, principalmente os vidros partidos, mas o
edifício está totalmente intacto que poderá estar de pé vários anos.
PACHANCHO
António Peixoto, mais conhecido por Pachancho, nasceu na freguesia de Maximinos, Braga, a 25 de
Dezembro de 1890.
Os seus princípios modestos não o impediram de se tornar num dos industriais com maior projecção no
distrito de Braga e mesmo no país.
Pioneiro no fabrico de peças para automóveis, formou um verdadeiro império industrial, empregando
numerosos operários. Graças à sua acção, Braga foi pioneira no fabrico de motores para velocípedes, com a
marca Pachancho.
António Peixoto, que fora torneiro e fundidor, transformou uma pequena oficina, na rua de Santo André,
no império que foi a Fábrica Nacional de Pistões Pachancho, em Infias.
António Peixoto faleceu em 31 de Março de 1958.
MACAL
Macal- Manuel Caetano Henriques e Companhia Lda.
A Macal foi fundada em 1921 por Manuel Caetano Henriques.
Posteriormente, e com a ajuda da esposa Rosa de Oliveira Batista, do filho mais velho Fernando de Oliveira
Caetano e ainda de alguns aprendizes, começou a fabricar componentes para bicicletas.
A empresa foi crescendo, e foi necessário admitir mais funcionários, assim como realizar novas
instalações fabris.
Por volta de 1955, Manuel Caetano, formou definitivamente a firma M. Caetano Henriques e Cª. LDA.,
"oferecendo" sociedade a alguns dos seus primeiros aprendizes. Desses aprendizes, constavam os nomes de
António Marques Miranda, Ernesto Ferreira de Oliveira, José Mota, para além do seu filho Samuel de Oliveira
Caetano.
Devido a divergências entre o seu filho Samuel e António Miranda, Manuel Caetano, juntamente com a
família Graça e com Miguel de Almeida e Silva (genro), fundam a firma Sociedade Comercial do Vouga.
Nos finais da década de 50, deu-se a entrada de uma pessoa que com a sua experiência ajudaria a Macal a
entrar no ramo do Motociclismo. Entrou para a sociedade, Isaac de Oliveira Caetano( filho mais novo de Manuel
Caetano Henriques) e ex. Campeão Nacional de Motociclismo na classe de 350cc.
Isaac Caetano, correu aos comandos de uma BSA Gold Star 350cc.
Nessa altura, iniciou-se o fabrico de componentes para ciclomotores.
Em 1957, morreu Manuel Caetano Henriques, desaparecendo assim o Homem que deu o nome e fundou a
marca.
Na década de 60, Isaac de Oliveira Caetano, iniciou o desenvolvimento de ciclomotores próprios, surgindo
assim os primeiros Ciclomotores Macal.
Isaac Caetano, com os conhecimentos adquiridos com as motos Inglesas com que correu (BSA e Norton),
desenvolveu todos os Ciclomotores Macal, utilizando tecnologia Inglesa.
Nessa altura, tudo era realizado nas instalações fabris da Macal, como por exemplo: quadros,
suspensões, guiadores, parafusos, escapes, etc...
Das mãos de Isaac Caetano, sairam modelos que ajudaram à notoriedade da marca. Esses modelos
foram : Clipper; Vanguard; M50 e M50 modelo Algarve; Vanguard H4 (com motor Honda a 4 tempos e 4
velocidades); M70 e M70 H5 (motor Honda a 4 tempos e 5 velocidades); Husky (com rodas 12' e com motor
Casal de 2 velocidades); GTX/Sport Especial (com quadro inspirado na escola Italiana SWM); M80( evolução do
modelo GTX/Sport Especial); M70 DS; Porsche GT; 2100; Cross competição; Marisa; assim como toda a gama
Minor, nos modelos de Senhora e Homem.
No final da década de 60, entrou para a sociedade Querubim Branco, que juntamente com Isaac Caetano,
António Marques Miranda, Ernesto Oliveira e Artur Marques Gomes, começaram a mudar o rumo da empresa.
Iniciou-se a representação para Portugal da linha de floresta da Husqvarna.
Foi criada a Ciclo Órbita, juntamente com a Sociedade Comercial do Vouga e com a Miralago.
Na década de 70, a Macal iniciou a produção de cubos para as rodas dos seus veículos. Os cubos eram
fundidos na Sonafi (Sofi) e maquinados na Macal.
Este modelo de cubo, foi posteriormente fornecido à SIS-Sachs para equipar o famoso modelo V5.
No final da década de 70, a Macal iniciou uma parceria com as firmas Catalãs Nagesti e Akront, para o
desenvolvimento de uma jante especial em alumínio totalmente desmontável.
Posteriormente, este tipo de jante passou a ser totalmente fabricada em Portugal, cessando a sua
produção quando a Metalurgia Casal fechou, já que as ultimas séries de aros foram produzidas nesta empresa.
Na década de 80, graças ao aumento de produção (cerca de 90 unidades por dia), foi necessário aumentar
as instalações e admitir mais funcionários.
Com a construção de um pavilhão novo, nasceu a Macal Husquevarna, nascendo assim uma nova equipa
de pesquisa e desenvolvimento formada por Isaac Caetano, Eugénio de Almeida (ex. Honda, Suzuki, Confersil e
Sirla), Engenheiro Trigueiro Lobo (ex. SIS-Sachs e Forvel), Rosário Martins (ex. SIS-Sachs).
Desta equipa nasceram os modelos: TR50 (evolução do modelo M80); TT50(evolução do modelo Sport
Especial); Cross Competição II; Trail I e Trail II; M86.
Na década de 80, verificou-se a entrada dos motores Minarelli, na gama de modelos da Macal. Até essa
altura, a Macal usava motores Casal( 2, 4 , 5 e 6 velocidades), Zundapp ( 4 e 5 velocidades) e Sachs (5
velocidades).
Acontece que todos os anos, os fabricantes nacionais de motores (Casal, Famel e SIS) subiam os preços
dos motores, acordando entre eles que subiriam o preço das motorizadas em função da subida do preço dos
motores. Esta medida fazia com que as marcas nacionais não produtoras de motores (conhecidos por
montadores), casos da Macal, EFS, Sirla, entre outros, pudessem ter preços competitivos.
O problema desta medida é que nunca era cumprida, já que os fabricantes nacionais de motores (Casal,
Famel e SIS), suportavam o aumento do custo das matérias primas com a diferença de preços praticada pela
venda de motores aos montadores (Macal, EFS,Confersil, Sirla, etc), criando grandes problemas aos sectores
comerciais destas empresas.
A EFS, aborrecida com esta situação, decide começar a comprar motores Kreidler, Puch e Minarelli.
A Macal, por sua vez, tentou fazer um acordo com com a firma Espanhola Derbi, mas chegou rapidamente à
conclusão que o motor Derbi não era apropriado para o mercado nacional.
Assim, Querubim Branco, que chefiava o sector comercial da Macal, teve de continuar a vender
Ciclomotores equipados com motores produzidos em Portugal. O motor Sachs era usado em 50% dos modelos
da Macal, o motor Zundapp em 25% dos modelos, e o motor Casal era também usado em 25% dos modelos.
Entretanto, a EFS começava a ter graves problemas económicos, logo após a morte de Ernesto Sucena.
Ernesto Caetano, que entretanto começara a trabalhar na Macal, teve conhecimento dos problemas
económicos da EFS, ficando a saber que a EFS não iria comprar mais motores Minarelli.
Perspectivando um bom negócio, Ernesto Caetano pressionou Querubim Branco para que este
contactasse a Motori Minarelli. Só que Querubim Branco, com má impressão dos motores Italianos, decide não
contactar.
Apesar deste revés, Ernesto Caetano não desistiu da sua ideia e pediu a Isaac Caetano e ao Engenheiro
Trigueiro Lobo que contactassem a Motori Minarelli na Feira Bienal de Colónia, evento que os dois iriam visitar.
O referido contacto aconteceu, e nasceu uma parceria bastante forte entre a Macal e a Motori Minarelli
(Arteno venturi e Carlo Trenti na foto).
Estava então resolvido o problema da Macal......
A titulo de curiosidade, refira-se que usualmente chamam aos Ciclomotores Macal; Ciclomotores
Minarelli. o facto é que esta troca de nomes, é um rotundo erro, pois nem a própria Motori Minarelli quis que os
motores equipados nos Ciclomotores Macal, tivessem a marca Minarelli. Numa primeira fase, os motores foram
apelidados de motores Macal Minarelli e posteriormente só Macal.
Na década de 90, influenciada pelas novas tendências, a Macal criou a gama Scooter.
Inicialmente importou de Taiwan modelos da Herchee, rebatizando-os Macal. Posteriormente fabricou
scooteres na sua totalidade (quadro, selim, escape, guiador, alguns plásticos, etc)
Estes novos modelos de Scooter, utilizavam os novos motores Yamaha/ Minarelli modelos CY50 e MY50,
herdando também o seu nome.
Estes veículos foram todos desenvolvidos por Isaac Caetano e pelo Engenheiro Trigueiro Lobo, apesar
de Eugénio Almeida ainda ter colaborado na realização de protótipos da Scooter CY50.
Também nessa altura, a Motori Minarelli deixou de produzir a gama de motores "P"(P4; P6; RV4/6),
deixando a Macal numa situação bastante delicada.
Aos responsáveis pela Macal, só restavam duas hipoteses. Ou optavam pela montagem dos motores
AM3/4/5, que iria provocar alterações radicais ao nivel do acopolamento desse motor ao quadro, ou
continuavam a usar a gama de motores P4/6 e RV4/6 mas com fabrico próprio.
Assim, a Motori Minarelli cedeu os moldes e todo o apoio técnico quase a custo zero e a Macal produziu
para si e para outros clientes o motor Minarelli.
Tendo necessidade de expandir os seus negócios, Isaac Caetano, Ernesto Caetano e o Engenheiro
Trigueiro Lobo( Macal), assim como o Sr. António Silva (sócio da SIM, Sociedade Irmãos Miranda), deslocaramse
à Eslováquia, país onde o Sr. António Silva tinha bons contactos, a fim de verificarem a hipótese do fabrico
de alguns componentes para os motores.
Posteriormente, seriam finalizados numa nova unidade fabril realizada por capitais da Macal e da SIM.
O processo esteve bastante avançado, mas começou-se a adivinhar problemas com o sector, e o projecto
foi abandonado.
Foi então que, em Agosto de 1997, a Macal Husquevarna teve problemas com um cliente nacional, assim
como com um cliente Italiano, levando a firma Macal Husquevarna ao encerramento....
A firma M. Caetano, transformada em S.A. no início de 2001, devido à má gerência da primeira
administração, aliada à profunda crise Europeia do sector, inviabilizou a sua recuperação .
Os ultimos veículos produzidos foram os ciclomotores modelo M83 AM6 K5 H2o, e os Ciclomotores de
Moto-cross Infantis, exclusivos para a firma Catalã de Motos (Macbor) Bordoy.
As Macal/ Macbor foram desenvolvidas por Ernesto Caetano e Alex Llobet, e intensamente testadas em
Portugal por André Caetano.
Ainda durante esse periodo, a firma M.Caetano e C.ª S.A., produziu os quadros dos Motociclos AJP, assim
como produziu e montou as ultimas trinta e uma séries de Bugas( Bicicletas de Utilização Gratuita de Aveiro).
Infelizmente, esta firma acaba também por fechar as suas portas em Maio de 2004.
EFS
A EFS (E. F. Sucena e Filhos), nasceu em 1911 na Borralha, para se dedicar à produção de bicicletas. Na
década de 50, dedica-se à produção de motorizadas, e é na produção de motorizadas que ganha notoriedade.
Como a maior parte dos fabricantes de motorizadas portuguesas, não fabricou motores, tendo sido uma das
marcas que usou o maior número de motores de marcas diferentes. Equipou modelos com motor Zundapp,
Casal, Sachs e Puch.
Ficou conhecida com modelos como a EFS 220, EFS mini ( uma cópia das famosas Honda Monkey), até à
famosa EFS formula 1, entre outros modelos.
EFS fechou as portas na década de 1980
MASAC
Meio século passado e o Grupo MASAC mantém os mesmos valores que o têm guiado desde o dia 7 de
Já-neiro de 1957, quando Marcelino dos Santos, Jasmim da Silva Neto e Renato Moreira dos Santos escreveram
a primeira página da história do Grupo ao constituir a empresa MARCELINO DOS SANTOS & Cª, Lda. Criada em
Poutena, Anadia (distrito de Aveiro), a empresa utilizava um armazém com uma área de cerca de 200 m2 e
dedicava-se exclusivamente à importação e comércio de bicicletas, motorizadas e acessórios. Uma enorme
vontade de crescer aliada a uma noção forte de crescimento sustentado motivou a abertura de filiais em Lisboa
e no Porto e, mais tarde, a transferência da sede para Cantanhede (distrito de Coimbra). Entretanto, a gama de
produtos foi alargada e a empresa entrou com o pé direito no mercado das máquinas agrícolas e dos acessórios
para motos e motociclistas. Esta última área teve um desenvolvimento tal que justificou a criação de uma
empresa distinta, em 1988. Nasce assim a MSC - Sociedade de Equipamentos e Veículos, Lda., cujo sócio principal
era a empresa MARCELINO DOS SANTOS & Cª, Lda., e os seus sócios na altura, Jasmim Neto, Carlos Neto,
Manuel Lourenço e Manuel Filipe Prates.
Em Janeiro de 1993, a MARCELINO DOS SANTOS & Cª, Lda. e a MSC - Sociedade de Equipamentos e Veículos,
Lda., são transformadas em sociedades anónimas, vendo alteradas as suas designações sociais para
MASAC - Comércio e Importação de Veículos, S.A. e MSC - Sociedade de Equipamentos e Veículos, S.A.,
respectivamente. Ambas em conjunto são designadas por Grupo MASAC. Na mesma altura, as duas empresas
instalam-se definitivamente em instalações contíguas, sediadas na zona industrial de Cantanhede.
Em 1995, o grupo MASAC adquire 55% do capital da empresa SERINTEL, Lda., representante em Portugal
da marca POLARIS. Posteriormente adquire o restante capital daquela empresa, ficando o processo concluído
em Dezembro de 1996.
Instalações construídas a pensar no Grupo e para o Grupo, uma equipa de profissionais que todos os
dias dá o seu melhor, boas perspectivas de mercado e uma administração eficaz e consciente, são pilares
funda-mentais para que o Grupo possa continuar a nortear as suas estratégias com sucesso e solidificar a sua
posi-ção no mercado onde se insere.
DIANA
As motorizadas Diana, eram fabricadas em Sangalhos pelos armazéns "Fausto Carvalho". Em anos de
muitas vendas, não tinham capacidade de produção, pelo que recorriam a outros fabricantes, daí existirem
Dianas fabricadas pela Macal, pela EFS e por outras marcas!!!
O FC que consta da chapa do construtor, significa "Fausto Carvalho", nome do fundador da empresa!
As instalações onde a Diana era fabricada! Rua do Comércio, Sangalhos (nac. 235)!
Anos mais tarde, foram ocupadas pelos armazéns "Castros & Moura", distribuidores das bicicletas e
motorizadas Marvil e importadores das inglesas Raleigh! Neste momento, encontram-se desactivadas!
MAYAL
A Mayal era uma empresa localizada em Aveiro que comprava grandes quantidades de motorizadas a
diferentes fabricantes e que depois as vendia com a marca Mayal. Deste modo seleccionavam os modelos que
melhor se adequavam ao perfil da empresa.
SO4
As motorizadas SO4 (pensamos que o nome destas motorizadas significa "só 4" exemplares
construídos... Será?), foi construída artesanalmente (motor e quadro) por António Mendes, trabalhador da C.U.F
no Barreiro.
É uma motorizada bonita e cheia de pormenores que foram previamente estudados e pensados. É um
dos ex-líbris das motorizadas de fabrico português.
O símbolo da marca está presente no motor e no depósito.
Ao que consta, o Sr. Mendes era um metalomecânico muito bom, tendo mesmo chegado a ser formador
nesta área. (pormenor do motor construído artesanalmente com o símbolo SO4)
Consta ainda que a construção das motorizadas partiu de um desafio de amigos.
No entanto, numa conversa com um familiar (e se a memória não falha) , este disse que só tinha
conhecimento de uma motorizada e que a mesma era usada para as deslocações casa/fábrica.
Consta ainda que:
- O motor tem 95cc, mas só foram declarados 48cc.
- Das 4 motorizadas só existe uma em bom estado e restos de outra.
METALURGIA CASAL
A Metalurgia Casal, foi a maior empresa Portuguesa do sector das 2 rodas. Nenhuma outra empresa
conseguiu ter a capacidade produtiva e o número de unidades vendidas da Metalurgia Casal.
Nenhuma outra empresa nacional, conseguiu produzir motorizadas, motas, motores e alfaias agrícolas
em grande escala e com um motor de produção própria.
Regendo-se inicialmente pelo modelo Alemão da Zundapp, aproveitando e imitando o que esta
empresa tinha de bem feito, a Casal conseguiu destacar-se da Zundapp e de todas as empresas nacionais,
tornando-se uma marca respeitada, tanto no mercado nacional como no mercado externo.
A Metalurgia Casal deve o seu nome ao seu fundador, João Casal, e dele herda todo o espírito
empreendedor.
João Francisco do Casal, nasce em 1922, em Aveiro. Depois de deixar os estudos, vai trabalhar para os
caminhos-de-ferro em Peso da Régua. Em 1945, a convite de António Marabuto, funda uma empresa de
comércio de mercearias. Deixa mais tarde esta empresa, e funda outra do mesmo ramo. É através destas
empresas que João Casal viaja regularmente à Alemanha, na tentativa de exportar produtos alimentares. Terá
sido nestas viagens que terá tomado contacto com a enorme indústria motociclista e automobilística Alemã, e
talvez tenha sido desse contacto com a indústria Alemã, que João Casal tenha tido a ideia de construir uma
empresa de motorizadas em Portugal.
Anos 50:
Em 1953, pede autorização ao Governo Português para exercer a montagem de motorizadas com motor
Zundapp, mas graças á enorme pressão exercida pela Famel e pela Vilar, o pedido é negado.
Em 1954, João Casal, visita a feira de Hanôver e estabelece contactos com a marca Zundapp. A
Zundapp estava interessada em arranjar um representante em Portugal que comercializasse a sua linha de
produtos que iam desde as motorizadas aos motores de rega, passando pelas maquinas de costura, entre
outros.
Através da sua polivalente firma, a J.Casal, que importava fogões e balanças, entre outros, João Casal
começa a vender motorizadas Zundapp.
Em 1957, obtém uma licença de representação dos motores Zundapp para Portugal.
Em 1959, João Casal, tenta criar uma fábrica de bicicletas com tecnologia de ponta, mas o projecto
falha.
Anos 60:
Em 1961, João Casal, dois irmãos e um primo, fundam a Casal irmãos e Companhia (mais tarde
Veículos Casal).
Esta firma cria a Motosal. A Motosal compra quadros à Vilar e monta-os com motor Zundapp vendido
pela J. Casal.
Em 1962, depois de em 1953 lhe ter sido negada a licença de produção de motorizadas, João Casal
consegue um alvará para a construção de uma oficina de reparação de motorizadas com posto de soldadura
oxiacetilénica.
Nesta oficina, monta, vende e repara motores Zundapp, que vinham desmontados para facilitar a sua
importação. Para além disso, fabrica alguns (poucos) componentes para esses motores.
Para vender os seus produtos, João Casal cria um circuito de distribuição que assegura a distribuição
por tudo o país.
Em 1963, João Casal tenta pedir mais um alvará.
Parece que depois de ter visto o pedido para montagem de motorizadas negado, João Casal tenta dar
um passo de cada vez, conquistando a simpatia e o respeito dos governantes, para numa altura certa formular
novamente o pedido para criação de uma fábrica de motorizadas.
Desta vez pede uma autorização para a construção de uma fábrica de carretos para motores.
Quase todas as fábricas nacionais de motorizadas, protestam contra esse pedido, dizendo que mais um
concorrente iria colocar em causa as fábricas já existentes.
Protestaram na altura as firmas: Famel; Quimera Alma; Pachancho; Miralago e Rufino de Almeida.
Pressionado pelas firmas descritas em cima, o Governo português invocando a guerra colonial,
informa João Casal que começaria a ser difícil conceder licenças de importação, e por conseguinte iria ser
muito difícil a importação de motores Zundapp.
O Governo Português lança então um desafio a João Casal. Porque não construir os seus próprios
motores? Acabavam-se os problemas com as licenças de importação e deixava-se de enviar divisas
importantes para a Alemanha, resultante da importação de motores.
Contudo, João Casal, tinha uma ideia diferente do Governo Português.
Pretendia fabricar motores Zundapp até 250cc sobre licença, com a maior parte das peças a serem
produzidas em Portugal e as restantes a virem da Alemanha, isto nos primeiros 2 anos.
Depois desses 2 anos, os motores deveriam ser totalmente produzidos em Portugal.
Apesar do protesto de todas as outras firmas de motorizadas, João Casal consegue finalmente o
alvará de construção de motores até 250cc.
Contudo, a Zundapp também tinha ideias diferentes das do Governo Português e de João Casal.
Pretendia continuar a ceder licenças de importação de motores para Portugal.
Perante esta vontade da Zundapp em só ceder licenças de importação, João Casal, lembra-se de com a
ajuda do Governo Português, nacionalizar o motor Zundapp.
A Zundapp perante este cenário, corta relações com a Metalurgia Casal, e torna a Famel o seu novo
representante de motores para Portugal, fazendo com que João Casal perdesse todas as possibilidades de
nacionalizar o motor Zundapp.
De uma cajadada só, João Casal, ficava sem motor para produzir e ganhava um concorrente interno
respeitável, a Famel, que trocara os motores DKW e JLO, pelo bem melhor motor Zundapp.
Apesar de indicar isso, e num golpe de sorte, nem tudo estava perdido.
O Engenheiro Robert Erich Zipprich, director técnico da Zundapp, que sempre tivera uma boa relação
com João Casal desde os tempos em que este representava os motores Zundapp para Portugal, não se
conforma com a atribuição da licença de importação de motores Zundapp à Famel. Por este motivo, abandona a
Zundapp e vem trabalhar para Portugal para a Casal.
Em 1965 é aumentado o capital social da empresa com o intuito de se começarem a produzir os
motores Casal.
A firma passa de um capital social de 6 000 contos (30 000 euros) para 30 000 contos (150 000 euros).
Em Junho de 1966 inicia-se a produção do motor Casal e alguns meses mais tarde inicia-se também a
produção da scooter Carina (inspirada na Zundapp R50).
Esta scooter veio satisfazer um nixo de mercado de scooter's de baixa cilindrada.
Recorde-se que nesta época haviam muitos produtores de scooter's, mas quase todos produziam
scooter's com mais de 125cc.
Entre esses construtores, a Piaggio com a sua Vespa, foi sempre a marca mais acarinhada pelo
público.
Em 1967 são lançados os motores M151 e M148, e a motorizada K160.
Iniciaram-se estudos para produção de novos motores e motorizadas.
Foi ainda neste ano que se iniciaram contactos com vista a exportação de produtos para o continente
Africano (penínsulas ultramarinas Portuguesas), continente Europeu (Holanda e Dinamarca)
A Metalurgia estaria exposta nas feiras de Joanesburgo e Milão.
Em 1968 é lançado o motor atomizador agrícola e a motorizada K163.
Em 1969 é lançada a motorizada K181, que tinha como trunfo principal a estrutura superior fundida em
liga leve de alumínio.
São mostrados protótipos de motores de 50cc automáticos, 75cc e 150cc.
A empresa começa a concorrer com a Famel e a Vilar, no mercado para a produção de jantes de
alumínio para motorizadas.
Anos 70:
Em 1970 é apresentada na Feira De Março em Aveiro, a K260, uma mota de 125cc que é posta á venda
em 1972.
Em 1972 sente-se um pouco os sinais de uma pequena recessão nos lucros na empresa, devido aos
aumentos salariais dos empregados e aumento das matérias-primas.
A concorrência por parte de pequenos montadores que conseguiam produzir mais barato, e por
consequência vender mais barato, vêm agravar os problemas da Metalurgia Casal.
Outros factores foram o aumento da concorrência de motores de origem estrangeira e a obrigação do
uso do capacete.
Talvez para combater os prejuízos provocados pelos pequenos montadores, e poder jogar com armas
iguais, a Metalurgia Casal compra participações em pequenas montadoras como a Fundador (Sangalhos) e
Sotam (Mourisca do Vouga).
Em 1972, é assinado um protocolo para a criação de uma fábrica da Metalurgia Casal em Angola.
Essa fábrica iria estar dotada para satisfazer a produção de motorizadas, assim como a fundição
injectada de alumínio para fechaduras, portas, cubos de motorizadas, entre outros produtos.
Também tentou entrar no mercado Moçambicano, mas apenas como fornecedor de motores completos
á Fabrica de Bicicletas de Moçambique, que seriam montados em quadros de confecção própria, sendo
supervisionados pelos responsáveis da Metalurgia Casal.
O projecto Angolano, nunca deu o lucro devido, devido á Guerra que assolou o país.
O projecto Moçambicano, nunca viu a luz do dia.
Em 1973, é posta á venda a Casal K270 de 125cc. Para assegurar a sua fiabilidade, foi efectuado um
teste em estrada com a duração de 15 000 km em 48 dias, em que foram atravessados os seguintes países:
Portugal, Espanha, França, Itália, Jugoslávia, Bulgária, Turquia, Grécia, Áustria, Alemanha, Suiça,
Dinamarca, Suécia, Holanda e Bélgica.
Ainda em 1973, Holanda, Dinamarca e Estados Unidos da América tornam-se bons mercados para
exportação dos produtos Casal.
Em 1974, o Jornal Motor, transcreve um teste feito por uma equipa de técnicos Franceses, que ficaram
maravilhados com a motorizada K187S, comparando as suas performances às de uma mota de 125cc.
Pós 25 de Abril:
A queda do regime fascista governado na altura por Marcelo Caetano, é muito prejudicial á Metalurgia
Casal e ás outras indústrias nacionais de motorizadas.
Com a queda do já referido regime fascista, acaba o proteccionismo aos produtos nacionais, e Portugal
é invadido pelos modelos mais bonitos, tecnologicamente mais desenvolvidos e mais baratos dos construtores
Japoneses.
Tendo já arruinado o mercado Britânico das duas rodas, graças aos pontos já referidos em cima e
ainda a técnicas de dunpping patrocinadas pelo governo Japonês, os construtores Japoneses não poupariam
também o nosso.
O Dunping consistia em que os construtores Japoneses vendessem os seus produtos na Europa
abaixo do custo de produção. O prejuízo e a margem de lucro da marca eram pagos pelo Governo Japonês.
Quando se implementassem na Europa, os preços baixos seriam aumentados paulatinamente.
A própria instabilidade politica que se vivia na altura com o pós 25 de Abril, apesar de ter sido pouco
sentida, também ajudou a prejudicar a firma.
O preço das matérias-primas sobe e os ordenados também.
Os produtos da Metalurgia Casal vão perdendo competitividade.
Anos 80:
Os anos 80 deveriam ter sido de reestruturação da empresa.
Com a entrada na CEE em 1986, o poder económico dos Portugueses aumenta, e a motorizada do chefe
de família é encostada de vez na garagem, para dar lugar ao automóvel.
Apesar deste processo ter-se começado a dar já no final dos anos 70, a entrada na CEE veio permitir
uma melhor condição de vida a muitas famílias e este fenómeno da troca da motorizada pelo automóvel foi mais
evidente.
Essa troca é compreensível pois o automóvel é mais seguro, leva mais pessoas e protege as mesmas
da chuva.
A motorizada começou a ser o meio de transporte escolhido pelos jovem.
Modelos inspirados na competição, tais como as Honda NSR 50cc e 125cc, entre outras, levavam os
jovens ao delírio.
Estes modelos eram bem diferentes dos envelhecidos modelos Casal, e as vendas foram caindo.
Destaque para o lançamento da Casal K276, uma mota de Enduro com 125cc, de linhas muito bonitas.
Foram vendidas bastantes para os CTT.
Anos 90:
Na década de 90, a Metalurgia Casal continuou com a mesma linha de modelos envelhecidos, apesar
da ténue tentativa de mudança, realizada ao lançaram-se estes 2 modelos: A Casal Magnum e a Casal Arizona.
Tinha-mos então, os seguintes modelos para venda ao público:
Casal K168 Boss e Super Boss, este modelo foi um autêntico campeão de vendas, produzido durante
quase 20 anos, conseguindo assumir vários papéis e serviços.
Desde a motorizada que levava o trabalhador ao emprego, a motorizada que levava o jovem à escola, o
parceiro de trabalho do carteiro, até ao veículo do entregador de Pizzas. Foi sempre muito amada e quase todos
os Portugueses podem dizer que já guiaram uma.
Casal K181, uma motorizada com design bastante desactualizado;
Casal K500 Crossit, uma trail automática com 2cv de potência ;
Casal K554 RZ50, uma motorizada pouco virada para os jovens, com bastantes semelhanças à Macal
M83. As letras RZ, provavelmente seriam as iniciais do nome do Engenheiro Alemão Robert Ziprich, pelo que
deveria constituir uma homenagem ao falecido Engenheiro, que tanto fez pela Metalurgia Casal.
Casal K556 Magnum, uma motorizada muito bem conseguida. Bonita, com um design bastante jovem e
fresco, potente, com 5 velocidades e 7.5cv ás 7500rpm.
Foi inspirada na Suzuki Wolf (na altura a empresa Veículos Casal, era o importador dos motociclos e
ciclomotores da marca Suzuki), uma motorizada sem grande "personalidade", mas que a Casal conseguiu
interpretar de maneira bem mais interessante.
Casal K558 Arizona, uma trail com um design muito estilizado. Era uma ideia interessante, pois a
motorizada poderia andar tanto em asfalto, como em pistas de terra.
Ainda podemos referir que em 1996, a Metalurgia Casal esteve para comprar a António Pinto, o projecto
de uma motorizada que viria a ficar conhecida como AJP Galp 50.
Estava tudo encaminhado para a compra do projecto por parte da Metalurgia Casal, mas a compra
nunca se chegou a concretizar.
No entanto, as dificuldades económicas da empresa, foram continuando desde a década de 80. As
vendas da Casal continuavam a cair e os prejuízos a aumentar.
Em 21 de Outubro de 1993 dá-se uma greve por parte dos trabalhadores por causa de ordenados em
atraso.
Em 18 de Setembro de 1995, mais uma greve motivada por salários em atraso.
Em 18 e 24 de Janeiro de 1996 dá-se outra greve, desta vez reclamando mais de 4 meses de salários em
atraso.
A Metalurgia Casal foi andando em agonia lenta até 1999.
Em Janeiro de 1999, surge um grupo de investidores constituído por Manuel Magalhães, Paulo Barros
Vale, Rui Faria (Casal) e as 3 irmãs Cunha (Famel), que juntamente com apoios do IAPMEI, decidem colocar um
projecto de forma a salvar a Casal, a Famel e a Fundador.
O projecto consistia na fusão das 3 empresas. A Casal produziria motores, a Famel produziria
motorizadas, e a Fundador por sua vez, dedicar-se-ia à produção de componentes.
Um dos modelos a produzir, seria a muito interessante Famel Electron, protótipo de uma scooter
eléctrica realizada pela Famel em parceria com a Efacec.
Este interessante projecto iria empregar 230 pessoas, contra as 300 que as 3 fabricais possuíam. Para
além disso iria-se acabar com a eterna rivalidade entre empresas nacionais e consequente concorrência
interna, fazendo com que todos remassem na mesma direcção.
Em Fevereiro de 2000, a Metalurgia Casal encerra as portas devido á entrega judicial das suas
instalações à multinacional Carrefour, já que os terrenos da Metalurgia Casal tinham sido vendidos por 1
milhão de Contos (5 milhões de Euros) em Maio de 1998, e o prazo de entrega das instalações tinha acabado á
bastante tempo.
Em Março de 2000 a fusão destas 3 empresas é ameaçada pelos trabalhadores da Famel, que no
tribunal de Águeda, exigem a Falência da empresa, reclamando 9 mil contos (45 mil Euros) de créditos.
Em Maio de 2000, surge a notícia de que um grupo de credores iriam recorrer a via judicial para exigir a
falência da Casal.
Para além disso, os privados interessados no projecto de fusão das empresas, começariam a perder
interesse no projecto, alegadamente por o Estado Português estar a mudar as regras de aquisição destas
empresas. Segundo este grupo de investidores privados, o novo modelo de aquisição das 3 empresas de
motorizadas proposto pelo Estado, iria ser extremamente prejudicial para este grupo de investidores, e poderia
mesmo colocar em causa a sobrevivência desta Holding das marcas de motorizadas.
Em Setembro de 2000, surge a noticia quase certa que o sector das 2 rodas iria ser salvo, graças á
aprovação por parte do IAPMEI da Holding entre Casal e Fundador. A Famel estaria de fora da Holding devido a
estar a enfrentar um processo de falência movido pelos trabalhadores da empresa.
Surge um novo nome de um investidor privado na Holding. Esse novo investidor seria a Masac,
empresa a actuar no sector.
Começam-se a saber mais detalhes da Holding.
A Masac assumiria a liderança do projecto. A verba a investir pelos privados (Masac, Nuno Figueiredo e
Manuel Magalhães), ascenderia aos 700 mil contos ( 3 milhões e 500 mil Euros). O IAPMEI investiria 500 mil
Contos (2 milhões e 500 mil Euros), e o património da Metalugia Casal ascenderia ao 1 milhão e 200 mil Contos
(6 Milhões de Euros).
Em Dezembro de 2000, a Alpor, coloca uma acção de impugnação da venda do terreno da Metalurgia
Casal á firma Francesa Carrefour, garantindo que não teria certeza de ser ressarcida das dívidas realizadas pela
Metalurgia Casal.
Para além disso, surge o boato que a venda do terreno da Metalurgia Casal à Multinacional Carrefour,
não teria sido lícita, pois especulava-se que o terreno teria sido vendido muito abaixo do seu real valor.
Recorde-se que o terreno foi vendido em 1998, por 1 milhão de Contos ( 5 milhões de Euros), e
calculava-se que o terreno valeria 3 milhões de Contos ( 15 milhões de Euros.
Em Fevereiro de 2001, a Addemoto AB, uma firma Sueca que ao todo importou para este país cerca de
8000 motorizadas Casal, tenta contactar com a Metalurgia Casal de modo a poder importar peças de
substituição.
Para pagar as dívidas aos credores, é posto á venda os bens móveis da Casal (maquinaria, viaturas,
material de escritório, etc...)
Em Março de 2001 é dado a conhecer o interesse da Masac em comprar os activos da Metalurgia Casal
por 160 mil Contos (798 mil Euros). Apesar desse interesse, a compra nunca se chegou a realizar devido ao
facto da Masac nunca ter sinalizado a compra dos bens móveis.
Segundo Manuel Magalhães, a compra não se chegou a realizar por os activos da Metalurgia estarem
incompletos, faltando as participações da Metalurgia em sociedades em Angola, Macau e Estados Unidos da
América, para além do contracto de promessa de compra e venda de um terreno para implantar as novas
instalações da empresa, celebrado entre a Metalurgia Casal e a Autarquia Aveirense. Para além disso, não
estariam também incluídos um importante conjunto de moldes e máquinas.
Em Setembro de 2001, a multinacional Carrefour compra os bens da Metalurgia Casal por 90 mil
Contos (450 mil Euros), para assim poder destruir o que restava do prédio da empresa e construir um conjunto
de médias superfícies nesse local. Os bens da Metalurgia Casal são entretanto vendidos a um sucateiro.
Em Abril de 2002, a Câmara Municipal de Aveiro, vende um terreno para os interessados na
recuperação da Metalurgia Casal, poderem instalar uma nova unidade fabril e iniciarem a produção de
motorizadas e acessórios.
Surge ainda a noticia da destruição dos arquivos da Metalurgia Casal por parte do Carrefour. Ao
mandarem destruir o edifício onde estava o arquivo da Casal, perdeu-se assim um importante testemunho de
uma empresa que marcou o país. Projectos de motorizadas produzidas, ou de protótipos que nunca passaram
à produção, como por exemplo o projecto do automóvel Casal ou o projecto do motor nº 2 que bateu um
recorde do mundo de velocidade, entre outros, até ás fichas dos funcionários, ter-se-á perdido todo o espólio
conservado durante 40 anos.
Em Março de 2004, volta-se a acender a chama da esperança. Surge uma notícia no Jornal de Noticias
a dar conta da troca de galhardetes entre o Presidente da Câmara Municipal de Aveiro, antigos funcionários da
Casal e novos investidores interessados na Casal.
Os antigos funcionários da Metalurgia Casal, assim como os novos investidores interessados na Casal
(Nuno Figueiredo, Arménio Lima, Jasmim Neto e a Fundador), acusam a Câmara Municipal de má fé, visto ter
vendido o terreno prometido para instalar a nova fábrica da Metalurgia Casal à Vulcano.
Os ex-trabalhadores da Casal sentem que esta é a derradeira oportunidade para reaverem os seus
postos de trabalho, visto que se estão a acabar os subsídios de desemprego e será muito difícil arranjarem
emprego devido à sua idade.
A nova fábrica empregaria cerca de 70 ex-trabalhadores da Casal.
Do outro lado da barricada, o Presidente da Câmara Municipal de Aveiro, Alberto Souto Miranda, refere
que o projecto não existe, e que se estão a aproveitar da boa fé dos ex-trabalhadores da Casal.
O certo é que já não há moldes nem máquinas para se produzirem motorizadas, pois estes infelizmente
foram vendidos a um sucateiro. Como e o que é que iria produzir esta nova fábrica da Metalurgia Casal?
Está então contada mais ou menos a historia do maior fabricante de motorizadas e motas nacional, que
apesar de ter tido grande fama em Portugal e de ter sido respeitada no estrangeiro, não lhe poupou o facto de
ter falido com quase 2.8 milhões de contos de prejuízo (14 milhões de Euros), entre banca, segurança social e
fornecedores, e de ter sido saneada de todas as formas possíveis, tendo até perdido o seu arquivo que tinha
sido guardado durante 40 anos. Muito pouco respeito por uma empresa que tanto deu a Portugal......
Fornecido por José António Guerreiro do Moto Clube de Almodovar
A Rápida.
* Agradecimento especial a João Graça, elemento que se tornou indispensável à realização desta
biografia.
A Rápida deve o seu nome e a sua existência a uma pessoa, Manuel José Barros.
Manuel José Barros nasceu em Olhão em 1922, e logo começou a mostrar o seu interesse por veículos de duas
rodas.
Aos 17 anos de idade, construiu a sua primeira bicicleta!
Na década de 40, já com perto de 26 anos, Manuel Barros decidiu abrir uma pequena fábrica de
Bicicletas. Tinha nascido assim a Rápida. Ainda hoje, segundo alguns testemunhos podemos encontrar
bicicletas Rápida a circular nas ruas de Olhão.
Na década de 50, seguindo a tendência da procura da bicicleta com motor auxiliar, Manuel Barros,
juntamente com os seus empregados começaram a montar motores Cucciolo nos quadros Rápida.
Reconhecer um quadro Rápida é uma Tarefa fácil. Tanto no quadro como na roda pedaleira foram
gravados as palavras "Rápida" ou "Universal".
Foram vários os modelos produzidos, sendo que os preços variavam entre os 5 mil escudos (25euros) e
os 8 mil escudos (40 euros).
A paleta de modelos começava no Standard (similar ao Vilar com depósito atrás).
O modelo seguinte era o Super Standard (com depósito na parte superior do quadro e com escape em
forma de "rabo de peixe".
Havia ainda o modelo de pedaleira simples ( que era equipado com duas correntes e cujo o projecto foi
uma invenção de Manuel Barros).
Por fim o modelo especial ( o motor era montado ao meio do quadro, e também possuia o sistema de
pedaleira simples).
Segundo Manuel Barros, a invenção da pedaleira simples deveu-se ao facto de que os proprietários deste
tipo de veículos não faziam as revisões atempadamente, fazendo com que a pedaleira de aluminio equipada de
série no motor Cucciolo se degradasse. O sistema de pedaleira simples fazia com que este orgão fosse mais
resistente.
Tanto o pinhão de ataque como a roda pedaleira foram fundidos e maquinados manualmente um a um na
fundição da Rápida. Para a sua realização era utilizada uma liga de 50% de ferro e 50% de aço. A realização
desta árdua mas perfeita tarefa ficava a cargo do irmão de Manuel Barros.
Como curiosidade, refira-se que numa altura de grande procura destes ciclomotores, a Vilar recrutou os
serviços da Rápida para o fabrico de quadros de bicicleta e componentes, visto estar a ter mais encomendas do
que aquelas que podia atender. Por isso é natural que possam ainda circular nas nossas ruas ciclomotores
Vilar Cucciolo com quadro da Rápida.
A produção durou até ao final da década de 50, chegando-se nos melhores meses de produção a atingir
os 15 quadros por dia.
Já perto da década de 60, Manuel Barros decidiu abandonar o fabrico de ciclomotores, devido a
problemas com a licença de fabrico.
Depois desta aventura no mundo dos ciclomotores, dedicou-se ao fabrico de cadeiras e de bicicletas,
tanto de estrada como de corrida.
Actualmente, a Rápida faz reparações de bicicletas e serviços de metalização, sempre no mesmo local
onde a firma passou toda a sua história e sempre pelas sábias mãos de Manuel Barros.

Ex-trabalhadores da Sachs continuam credores
Quarenta e dois mil euros foi o valor da única proposta de compra para um terreno da SIS Sachs, situado
junto às antigas instalações da empresa, na Malaposta, Anadia, na venda judicial que decorreu, ontem, no
Tribunal de Anadia. Os outros quatro imóveis da empresa ficaram por vender, já que foi apresentada uma proposta
abaixo do preço de licitação. Os trabalhadores continuam à espera de receber as indemnizações (calculadas em
cerca de 250 mil euros), a maioria relativa a mais de 20 anos de trabalho na fábrica de motorizadas que fechou
em 1995.
O terreno, de cerca de 1200 metros quadrados, foi adquirido ontem pela mesma sociedade que já havia
comprado, por cerca de dois milhões de euros, as instalações. O valor base era de 21 mil euros, mas a proposta
aceite foi do dobro. "Quanto maior for o valor da venda, mas hipótese há de recebermos o dinheiro que falta",
referia António Matos, um dos trabalhadores que marcou presença no tribunal, credor de 37 meses de
indemnização.
A incerteza dos trabalhadores prende-se com a graduação do pagamento da dívida. Depois dos tribunais
terem considerado os salários crédito prioritário, os trabalhadores e o próprio gestor da massa falida aguardam
"uma aclaração da Relação de Coimbra", já que, no final do ano passado, esta instância emitiu dois acórdãos
diferentes. Um que considera privilegiados "os créditos dos trabalhadores (?) incluindo os provenientes de
indemnização", outro que considera o mesmo, mas apenas "por um período de seis meses". Significa que só
receberiam, antes da banca e segurança social, o valor relativo a meio ano, ficando os trabalhadores com
poucas hipóteses de receber o remanescente, já que o passivo da empresa ronda os 10 milhões de euros.
"Sem que seja clarificado quem tem direito a receber primeiro não podemos proceder ao pagamentos", explica
Inácio Peres, gestor da massa falida.
Os restantes quatro prédios, localizados em Arcos, junto às primeiras instalações da empresa, não foram
vendidos porque a única proposta que chegou ao tribunal não cobria o valor mínimo de licitação, de 91 mil
euros. Segundo Inácio Peres, resta agora a venda directa dos imóveis. Parece que houve um equívoco com o
proponente interessado. Se cobrir a base de licitação, a massa falida vende directamente", refere.
A Sachs, que nos anos 80, chegou a ter 500 trabalhadores, fechou portas em 1995, mandando para o desemprego
os cerca de 100 trabalhadores que se mantinham ao serviço.
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Re: A minha primeira mota

Mensagem  Chewing em Qui Jun 17, 2010 9:25 pm

Epá... já estava à espera disdo...

RESUME isso pah... Razz

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Re: A minha primeira mota

Mensagem  Scarz em Qui Jun 17, 2010 10:22 pm

Isto parte-me o coração...tanta imponência que já existiu em terras lusas e agora não temos nada Sad Sad Sad Crying or Very sad Crying or Very sad Crying or Very sad Crying or Very sad

Scarz

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Re: A minha primeira mota

Mensagem  Ajp 250 em Qui Jun 17, 2010 10:47 pm

Calma amigo Scarz ainda temos a Ajp Very Happy Wink ,vamos la ver se se aguenta por muitos anos,esperamos bem que sim.

Ajp 250

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Re: A minha primeira mota

Mensagem  Delgado em Sex Jun 18, 2010 8:15 am

A filisofia tem de ser um bocado afinada.
Não é a fazer coisas medianas e baratas, mas sim boas e a preço competitivo. Como é o caso da GasGas, por exemplo. A AJP poderia ser uma GasGas portuguesa, ou quem sabe uma TM... Cool

Delgado

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Re: A minha primeira mota

Mensagem  Scarz em Sex Jun 18, 2010 9:51 am

Delgado escreveu:A filisofia tem de ser um bocado afinada.
Não é a fazer coisas medianas e baratas, mas sim boas e a preço competitivo. Como é o caso da GasGas, por exemplo. A AJP poderia ser uma GasGas portuguesa, ou quem sabe uma TM... Cool

Concordo na parte do baratas...agora a Gas Gas fazer coisas boas? lol! lol! lol! lol! lol!

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Re: A minha primeira mota

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